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Ajuda internacional aos países Pobres

Intenção Geral do Papa para o mês de JUNHO

Que a solicitude internacional para com os países mais pobres suscite ajudas concretas, especialmente para os aliviar do peso opressor da dívida externa. [Intenção Geral do Papa para o mês de JUNHO]

1. Países pobres e países ricos

Há temas que, de tão falados e nunca resolvidos, acabam por cansar. Este parece ser um deles – quanto mais se fala de «ajudas ao desenvolvimento», mais se fica com a sensação de que certos países ou regiões do globo ficaram definitivamente para trás. Importa, por isso, lembrar como é recente esta convicção de que os países mais ricos e economicamente desenvolvidos devem ajudar os mais pobres: tem, talvez, uns cinquenta anos. Nestas décadas, foi ganhando, lentamente, espaço na opinião pública e nas preocupações de políticos e governantes. Contribuiu para isso a percepção cada vez mais clara de que, a prazo, ou as vantagens do desenvolvimento económico são partilhadas por todos ou a miséria da maior parte acabará por arrastar consigo os restantes. Contribuiu também a tão maltratada globalização (das comunicações e da economia), abrindo fronteiras e tornando cada vez mais intolerável a miséria extrema em que se encontram mergulhadas populações inteiras. E contribuíram inúmeras Organizações da sociedade civil feitas porta-vozes do desespero de tantos povos junto dos governantes dos países ricos. Hoje, não é mais possível ignorar as condições de vida miseráveis das nações mais pobres – e se esta consciência não é suficiente, é absolutamente necessária para tornar possível os passos seguintes: a ajuda concreta, capaz de promover o desenvolvimento sustentado dos países em causa.

2. As armadilhas da «ajuda ao desenvolvimento»

Infelizmente, em não poucos casos, a chamada «ajuda ao desenvolvimento» dos países pobres tornou-se um instrumento de exploração económica desses países e de imposição de modelos culturais e sociais estranhos as tradições dos povos. Infelizmente, também, muitas dessas ajudas foram canalizadas através de governos ditatoriais e corruptos, que desbarataram a ajuda recebida ou se assenhorearam dela, mantendo os respectivos povos na miséria. Com o tempo, a má gestão local aliada ao egoísmo dos «países dadores» criou situações insuportáveis, com os países pobres paralisados economicamente por dívidas impossíveis de pagar. Tudo isto tornou evidente que o desenvolvimento dos países pobres não passa pela injecção de dinheiro nos cofres dos governantes locais. Implica, em primeiro lugar, exigir boa governação, respeito pelas pessoas, abertura de mercados para os produtos dos países pobres e investimentos produtivos na economia local. Mais do que impor modelos económicos e culturais, importa promover os modos de vida locais, permitindo às pessoas, famílias e comunidades tornarem-se senhoras dos próprios destinos. Neste sentido, é fundamental a criação de condições para que as populações locais possam produzir os bens necessários a uma existência digna. Sem isso, nunca haverá desenvolvimento económico sustentável. Menos dinheiro e mais cooperação, menos arrogância e mais respeito pelas pessoas e culturas é a chave de uma ajuda eficaz aos países mais pobres. 

3. Ajudas concretas

Num tempo de crise económica global, torna-se mais difícil conseguir que os governantes dos países ricos se disponham a investir grandes somas de dinheiro em iniciativas sem retorno imediato, nem económico nem eleitoral. Esta crise pode, no entanto, constituir uma oportunidade de sensibilizar as pessoas para a urgência em promover formas de ajuda aos países pobres com impacto local. Certamente, há necessidade de levar os grande credores internacionais a diminuírem o peso asfixiante da dívida externa sobre a economia dos países mais pobres. Isso, porém, não se pode fazer sem garantias de boa governação local e transparência na gestão dos dinheiros que um perdão, mesmo parcial, da dívida externa acabaria por gerar nas economias dos países devedores – sobretudo, exigindo e assegurando que tais poupanças e outras ajudas concedidas não sirvam para financiar militarismos descabidos, terrorismos e outras formas de violência, muitas vezes exercidas sobre as populações locais pelos próprios governantes. Os modos concretos como tal se poderá fazer devem ser deixados aos peritos nestes assuntos. O que não se lhes pode deixar – nem aos políticos – é a exigência pública de procederem de modo a tornar menos penosa a situação das populações dos países mais pobres. Ora, para estas populações, ter acesso a um poço de água potável é muito mais importante do que ouvir falar de uma linha de crédito para vender produtos que não conseguem produzir.

Elias Couto