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Apostolado da Oração

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Conhecer e viver a Palavra de Deus

Que a Palavra de Deus seja mais conhecida, acolhida e vivida como fonte de liber-dade e alegria. [Intenção Geral do Santo Padre para o mês de SETEMBRO]

1. Palavra de Deus
Que impacto tem esta expressão (ou a equivalente, Palavra do Senhor) nos cristãos que a escutam durante a celebração eucarística? Sentirão, ao menos, um formigueiro na pele, perante tão inaudita proclamação? Ou estarão já insensíveis, tal é a falta de novidade do anúncio? Para muitos, também entre os cristãos, a Palavra de Deus é, hoje, apenas mais uma «palavra» e, não raro, nem sequer tão pertinente como outras que disputam a atenção, o compromisso e a fé dos homens e mulheres deste tempo. Ficou reduzida a mais um na cacofonia dos discursos que solicitam a nossa adesão, mesmo se apenas por breves instantes, até aparecer a novidade seguinte. Conhecer, acolher e viver a Palavra de Deus é o caminho para a recolocar no lugar próprio: o centro da vida do cristão.


2. Conhecer a Palavra
Qual o conhecimento que interessa? Certamente, o dos estudiosos que ajudam a compreender melhor o texto sagrado, situando o leitor no tempo e no lugar da sua redacção, ajudando a perceber o sentido profundo do que é dito, mostrando o modo como diversas tradições se conjugaram para trazer à luz os textos que hoje lemos – em suma, mostrando como Deus foi agindo, com sabedoria e pedagogia, para dar a conhecer o seu projecto de salvação. Tratando-se, porém, da Palavra de Deus, importa ainda mais aquele conhecimento que resulta do convívio diário com essa Palavra, da sua leitura meditada, do deixar-se questionar por ela... Quando assim acontece, a Palavra de Deus não fica no passado, torna-se Palavra viva, encontro pessoal com Deus, diálogo com Ele, caminho feito com aqueles que Deus escolheu para Se dar a conhecer à humanidade. Mas, para ter solidez e evitar fideísmos ou racionalismos fundamentalistas, este conhecimento deve acontecer em Igreja e deve estar aberto à informação trazida pelo estudo aturado da Bíblia, em Igreja. Pois só em Igreja a verdade da Bíblia – que é verdade de Deus sobre o homem e, portanto, verdade salvadora – se torna plenamente acessível ao crente. Além disso, este con-texto eclesial é a melhor garantia face à enxurrada de opiniões, mentiras, especula-ções, manipulações de que a Bíblia é, actualmente, alvo – em programas de televi-são pretensamente científicos, em livros de exegese, em romances pseudo-históricos, em filmes sem categoria...


3. Acolher e viver a Palavra...
O conhecimento da Palavra de Deus leva com naturalidade ao seu acolhimen-to, isto é, ao acolhimento de Deus que nos fala. Não se trata de sentimentalismo, mas de verdadeiro encontro entre pessoas: Deus, que conhece cada um de nós e nos é mais íntimo do que nós mesmos (Santo Agostinho), e o crente, que se vai adentrando, lentamente, no mistério de Deus e, pelo desejo e pela acção do Espírito Santo, se vai esvaziando de quanto impede Deus de fazer n’Ele a sua morada. Aco-lher a Palavra para viver a Palavra, ou seja, acolher Deus para viver com Ele, melhor ainda, viver n’Ele, d’Ele e para Ele. Quando assim acontece, a relação do crente com a Palavra de Deus muda radicalmente. Não se trata mais de um texto lido ou escutado distraidamente, com enfado, como quem cumpre uma rotina. Há nele uma originalidade primeva, impondo-se ao leitor ou ouvinte, surpreendendo-o, convidan-do-o ou forçando-o a mudar o seu estilo de viver. Não se sai ileso deste encontro. Mas os ferimentos não são de morte, antes princípio de abundância e alegria.


4. ... como fonte de liberdade e alegria
A alegria é a consequência natural do encontro entre amigos. Há palavras tro-cadas, gestos de afecto partilhados, tempo para falar e para escutar... Há, sobretu-do, uma experiência de leveza interior e de bem estar que se exprime no riso fácil, não fingido, na refeição partilhada, no repouso distendido. Conhecer, acolher e viver a Palavra de Deus, ou seja, o próprio Deus que fala «como um amigo ao seu amigo» não pode senão resultar num tempo de qualidade marcado pela alegria. O cristão que se deixa encontrar pela Palavra é alguém sempre sereno e alegre – a um nível profundo, bem interior, não raro manifestado exteriormente mas cuja essência é uma interioridade inalterada, mesmo quando as circunstâncias exteriores são de sofri-mento e angústia. Viver assim é ser livre: livre dos medos, dos respeitos humanos; livre no presente e livre face ao futuro; livre para se confiar a Deus e confiar nos outros; livre mesmo oprimido, perseguido, marginalizado. Será isto uma ilusão? Não responda sem ter feito a experiência...


Elias Couto